Dégradé de SP

No metrô, vejo a graça da mulher urbana
Vejo o sambista de terno e gravata
Vejo olhares que de cansaço que não veem nada

Um MIX de gente que balança lentamente
Seguindo o vem e vai do vagão
Vejo de Louis Vuitton à chinês sem garantia
Tudo junto adornando a multidão

Verde e azul é banco, preto e branco é social
Bege é para os clássicos e jeans é casual
O vermelho?
Ah, esse é para os que clamam por cor onde quase tudo é cinza

A cor do subterrâneo?
Cor de gente que corre para todos os lados
Que se mistura com a cor de outra gente
Formando um dégradé que vai do ocre ao carmim

Um pão com manteiga para começar bem

Em uma travessa da imponente Av. Paulista, dentro de um restaurante que leva em seu nome a simplicidade de um café da manhã cotidiano, oito meninas se reuniram para discutir Comunicação. Primeira semelhança: todas eram MORENAS (não que isso tenha alguma relação).

Como em toda boa conversa entre mulheres, o primeiro assunto foi HOMENS. Contos de fada às avessas, encontros e desencontros. Não faltaram finais felizes. Chega a hora de mudar de assunto, mas antes, para animar, alguns lanchinhos tão graciosos quanto o romântico espaço.

O que fazer em um encontro desses? Comunicar-se, é claro! Cada uma contou a que veio ao mundo, LITERALMENTE, e o que era para durar uma hora levou a noite inteira. Interesses surgiam no meio de cada história, e como além de comunicadoras eram curiosas, não restaram perguntas, muito menos respostas.

Enquanto os garçons recolhiam os pratos de cerâmica com folhas verdes estampadas e reorganizavam os talheres de aço sob molduras de madeira, as oito meninas despediram-se saindo de lá com amplitude de pensamentos e a vontade de repetir o encontro em um futuro breve.

Como um pássaro

Ser livre
Para ver a luz do sol ou o cinza do céu nublado
Para sentir o vento cortando meu rosto ou os grãos de areia de uma tempestade entrando em meus olhos

Nem todos os que têm asas sabem voar
Nem todos os que têm coragem conseguem enxergar a imensidão que há em um dia simples de primavera

É preciso ter olhos de lince para observar as ramificações que há em uma folha
Mas esquecer por um segundo o que se vê e dedicar total atenção ao que se ouve e sente também nos ajuda a vislumbrar o segredo da vida

Você pode escolher de que forma contemplá-la
Basta perceber a real amplitude do horizonte
Ou fortaleza de uma frágil casca de ovo

Fátima

A visita à Óbidos não foi o bastante para o final de semana. Decidimos visitar Fátima no domingo. Dessa vez sem acordar atrasada, saímos mais cedo e fizemos o mesmo trajeto até a rodoviária em Sete Rios. Desta vez o trejeto durou por volta de 1h30, mas como estava exausta, preferi dormir a observar a paisagem.

A quantidade de peregrinos da Terceira Idade é absurdamente grande, e nós, como todos que lá estavam, seguimos adiante na rua principal até chegarmos ao Santuário. Na entrada, pagadores de promessa andavam ajoelhados até o local em que N. S. de Fátima apareceu.

Um espaço aberto, do lado esquerdo observamos a antiga Igreja e a capela que marca a aparição da Nossa Senhora de Fátima; do lado direito, o novo Santuário.

Como todo santuário, Fátima traz paz a quem visita. Assistimos uma missa no pátio do Santuário. Senhoras de lenço preto na cabeça, escoteiros prontos para atender a emergências; o evangelho foi lido em português, espanhol, alemão, italiano e mais alguns idiomas. Partes da celebração foram realizadas em Latin, como também algumas músicas. A lição do dia deu-se na Parábola do Vinheteiro e o padre termina dizendo:

“Quando se perde Deus, nosso horizonte se reduz e passamos a nos preocupar somente com o nosso bem-estar”

Os fiéis daqui também tem costume de comprar velas de metro para pagarem suas promessas, mas ao contrário do Santuário de N. S. Aparecida onde as velas são acesas para que queimem até o fim, em Fátima são atacadas ao fogo e derretem-se em segundos.

O novo Santuário tem forma circular e em cada porta de madeira de cor tabaco há um versículo bíblico. Em seu subterrâneo havia duas exposições sobre as histórias de Lúcia e Francisco (duas das crianças que viram a Nossa Senhora), e outra sobre as homenagens prestadas a Fátima ao redor do mundo. Um painel de ouro atrás do altar ilumina o Santuário e reflete a riqueza milenar da Igreja Católica.

Dentro de muralhas

O alarme dispertou e eu não acordei, como sempre. Sete horas e 10 minutos, o telefone tocou e eu, que já deveria ter descido, mal tinha acordado. Coloquei a roupa, escovei os dentes, peguei a mochila e desci, sem a bateria da minha máquina. O autocarro já estava na paragem e as meninas já estavam correndo para pegá-lo e eu sem nem ter acordado direito corri atrás.

Dois autocarros, metro da estação Colégio Militar à Jardim Zoológico e depois direto para a estação 7 Rios. Depois de um sande com queijo e uma “meia de leite” (café com leite), embarcamos rumo à cidade Caldas da Rainha.

Autocarro conservado e bem cheiroso, estrada bem conservada e sinalizada. É muito agradável viajar por Portugal. Ao longo da viagem é possível observar alguns pés de limão, daqueles mais claros como nos desenhos, e condomínios de casas igualmente construídas e muito próximas umas das outras.

Conforme nos afastamos de Lisboa havia mais pinheiros à margem da estrada, e já é possível observar placas que sinalizam Óbidos, já que o percurso durou por volta de 1 hora.

Em menos de 10 minutos de taxi fomos de Caldas da Rainha à Óbidos. Já enxergávamos o alto a muralha e o castelo que agora é uma pousada.

Em frente ao portal de entrada da Vila de Óbidos muitos turistas esperavam para entrar. Este portal abriga um oratório azulejado em homenagem a Nossa Senhora da Piedade, padroeira de Óbidos. Construído no séc. XVII, o oratório como também as casas e igrejas da vila foram construídos depois de ser instaurado o regime monárquico em Portugal.

As ruas estreitas da vila permitem a passagem de carros e carroças. Há diversas lojinhas e restaurantes na rua que nos leva diretamente a uma das três igrejas. Nessas lojas comercializa-se o famoso licor de ginja, fruto da família da cereja. Há também muitas lojas de porcelana que vendem painéis pintados a mão. Esta atividade é bem valorizada já que um simples jarinho que cabe na mão custa € 10, imagine o preço de um mosáico para fixar na parede.

Inteiramente coberta por azulejos azuis, a parte interna da igreja encanta quem a visita. Os afrescos dos tetos e as velas vermelhas nos cantos da igreja ajudam na calmaria do lugar.

Você já percorreu uma muralha? Ao fim da Vila chegamos a um espaço que é possível acessar a muralha por meio de escadas. Que vista linda! Tudo fica pequeno quando olhado de cima.

A realização de cerimônias de casamento é frequente nas igrejas, muitos portugueses passavam por nós vestindo trajes sociais.

Depois de mais um sande com queijo (essa foi basicamente a minha alimentação durante o final de semana), voltamos à Caldas da Rainha. Depois de algumas voltas pela cidade, na qual também há igrejas azulejadas por dentro e um lindo parque cheio de pombos, voltamos à estação e de lá diretamente à Lisboa.

A sensação de passar o dia dentro de muralhas? São tão altas que até protegem do vento. É fácil sentir-se preso, apesar de agora todas as passagens estarem abertas. Quem as construiu tinha muito com o que se preocupar, provavelmente uma possível invasão.

E agora? Ponto ou vírgula?

Muitas vezes enquanto escrevo vem a dúvida da colocação da vírgula na frase ou da necessidade de terminá-la com um ponto final. Mas essa pontuação é bem fácil de se resolver, difícil é fazer isso com determinados acontecimentos da vida. E piora ainda mais quando o texto é revisado por alguém além de você.

 

Quantas vezes coloquei um ponto final onde a vírgula seria mais adequada, ou então, o outro revisor preferiu pelo ponto final e eu crente que depois da vírgula continuaríamos a frase. Para os mais indecisos e espertos ainda é possivel abusar do ponto e vírgula que, partindo do mesmo tema, apresenta novos ângulos de uma mesma visão. Talvez o ponto e vírgula seja a evolução das espécie nos relacionamentos humanos. Estes não precisam ter um fim, apenas um começo um pouquinho diferente.

E se seu texto for publicado com um ponto final, sendo que a história ficaria muito melhor se continuasse? Bastava apenas uma vírgula, mas se já publicado não há mais muito o que fazer. A errata é quase imperceptível, por isso é sempre bom pensar antes que publicá-lo sem uma boa revisão.

O meu próximo texto? Ahh!!! Vou revisá-lo bem antes de publicar um fatídico ponto final no lugar reservado por direito à vírgula.

Foca, Golfinho ou Tubarão?

Oeiras, cidade seguida de Lisboa à Oeste, é ainda muito mais calma que a capital portuguesa. Aqui moramos em uma residência universitária ao lado da Faculdade de Motricidade Humana e ponto final do autocarro 76. Em frente a nossa morada encontra-se o Centro Desportivo Jamor.

 

Entre todos os desportos oferecidos pelo governo local, que vão desde caiaque a arco e flecha, resolvi me aventurar na natação. Antes que você pense “O que tem demais nisso?” eu explico. Eu adoro nadar…SEM COORDENAÇÃO NENHUMA. Já fiz um tempo de natação, mas o meu forte ainda é o nado livre.

Como toda nova atividade, é necessário pagar um pequeno MICO antes de começar as aulas. Me equipei com uma touca de silicone e um óculos novo e fui ao tal teste de natação. O complexo aquático é muito moderno, desde os vestiários até a ducha quente que usamos antes de entrar na piscina. Ah! E a piscina? Enorme, funda e linda demais para quem já pode nadar nela!! Eu como categoria GOLFINHO (pelo menos não sou FOCA – o que seria bom em minha carreira de jornalista, mas na natação antes golfinho do que foca) vou me contentar com a piscina ao lado, que como dizem os portugueses, é MAIS PEQUENA.

Caminhar até o complexo aquático faz muito bem à alma. No lago, patos e marrecos descansam ou brigam pelos pedaços de pão jogados pelos frequentadores. As pontes ao redor do lago fazem o percurso de corrida ficar mais emocionante e esforçoso para os portugueses que treinam por lá. Nas quadras, muitos jogam futebol ou hoquei na grama. Ao fundo é possível enchegar os imensos holofotes do Estádio Nacional de futebol em meio a muita vegetação, muita mesmo.

Neste trajeto, a estrada da Costa se resume a isso. De um lado nossa residência e a FMH, do outro o Centro de Desporto. E o GOLFINHO? Vamos deixar para uma próxima história…

Ama Zzz…ônia

Em meio à aula de Ecologia e Diversidade Humana, ministrada por um Professor Doutor da UTL, foi iniciada uma dicussão sobre diversas áreas verdes. Como o próprio preferiu argumentar, disse que os debates propostos por ele na aula vinham do senso comum. O estranhamento foi inevitável, afinal, não seria a universidade um lugar de fugir do senso comum e partir para o aprofundamento teórico dos temas debatidos?

 

Mas vou me ater aos fatos. Primeiro o professor iniciou uma discussão vaga; e digo isso pela abrengência dada ao assunto, já que começou a falar sobre o problema das zonas costeiras portuguesas, comentou sobre o impacto da poluição na vida dos golfinhos em Setúbal, passou por um empreendimento litorâneo chamado Tróia e, entre os diversificados assuntos do tema X discutido em aula, houve LITERALMENTE uma VIAGEM pela Amazônia.

Professor: “Na Amazônia há pouca incursão humana!”

Percebi que os alunos presentes ou não estavam prestando atenção na frase proferida ou pior, todos aceitaram aquela afirmação como certa.

As únicas brasileiras na sala (eu e uma geógrafa) nos olhamos para tentar entender se o que ouvimos era mesmo verdade. Não pude conter o riso, abaixei a cabeça e tentei me concentrar para não faltar com o respeito, apesar de ele ter faltado com o respeito com meu País.

Preferimos não nos manifestar, mas minha indignação foi tremenda. A questão da Amazônia é discutida em encontros internacionais, todos sabem que parte dela já se perdeu e que o desmatamento é constante!!! Mas ele pelo visto não sabe. O pior foi que descobri que aulas antes este mesmo professor afirmou que a nossa Amazônia é um pulmão no mundo!!!!

Vamos aos dados:

Segundo o IBGE a Amazônia Legal representa 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios, onde viviam em 2000, segundo o Censo Demográfico, 20,3 milhões de pessoas (12,32% da população nacional), sendo que 68,9% desse contingente em zona urbana.

O desmatamento da Amazônia tem origem na atividade pecuária, bastante desenvolvida especialmente nos anos 70. Nos anos 90, um novo e importante vetor de ocupação se deu com a entrada da agricultura capitalizada, com destaque para a soja.

Rondônia é o estado com maior percentual de área desmatada em relação ao território (28,50%). Até 1978, esse percentual era de apenas 1,76%. Segundo estudiosos do tema, as principais causas do desmatamento, na Amazônia como um todo e especificamente em Rondônia, são o crescimento da população, em razão da migração estimulada pelo governo; o crescimento da indústria madeireira, aliado à ampliação da rede viária; e as queimadas realizadas para manejo de pastagens e áreas agrícolas. (dados: 2007)

Durante muito tempo, atribuiu-se à Amazônia o papel de “pulmão do mundo”. Hoje, sabe-se que a quantidade de oxigênio que a floresta produz durante o dia, pelo processo da fotossíntese, é consumida à noite. Mas, devido às alterações climáticas que causa no planeta, a  Floresta Amazônica vem sendo chamada como “o condicionador de ar do mundo”. (fonte: ambientebrasil.com)

A crebilidade de um professor é facilmente contestada quando faz afirmações errôneas como estas. Veremos até o final do semestre.

De Comboio à Cascais

Dizem que devemos aproveitar o últimos dias de sol que restam para ir à praia antes de chegar o frio. Após alguns minutos de caminhada chegamos a estação de comboio (trem) Cruz Quebra, próxima à nossa residência e o meio mais fácil de chegar a famosa praia de Cascais.

Em frente à estação Cruz Quebrada já há um pequeno trecho de praia, porém não costuma ser frequentada. A viagem de comboio até Cascais dura por volta de 30 minutos e vale a pena observar o mar ao longo desse percurso.

Tranquila e repleta de grandes casas, Cascais costuma ser muito visitada pelos turistas. Muitos estavam a tomar sol, mas o vento era tanto que decidimos por caminhar pelo calçadão. O mar revolto é perfeito para a prática de esportes, eram muitos os que praticavam wind surf, mas poucos os que se atreviam a nadar.

A ideia que tinha sobre uma típica praia européia aproximou-se muito do que vi em Cascais. Espaços curtos de areia, mansões ao fundo e muita organização. Há ecopontos para jogar os diferentes tipos de lixo reciclado. Já o biquine das européias provoca estranhamento aos brasileiros.

Galerias Romanas

Depois de esperarmos por volta de três horas na extensa bicha que se formou, descemos por um buraco no meio da Rua da Prata (Chiado) – que dá acesso às Galerias Romanas, também denominadas Criptopórticos (construções abobadadas, empregues com alguma frequência em terrenos instáveis ou de topografia irregular para criar plataforma de suporte a outras edificações, normalmente públicas).

“A arquitectura e as técnicas de construção destas Galerias sugerem tratar-se de um monumento da época dos imperadores Júlio-Cláudios (primeira metade do séc. I d.C.), contemporâneos à outros edifícios públicos da cidade romana de Olisipo.

Os últimos trabalhos arqueológicos do Museu da Cidade revelaram que as Galerias foram erguidas sobre espessa placa artificial de rija armagamassa romana (opus caementicium – ‘antepassado remoto do betão’) colocada sobre a areia. A análise da arquitectura revelou a ocorrência de remodelação nesta estrutura, ainda durante a época romana.” (fonte: Museu da Cidade)

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